Histórico da Extensão Rural: Uma Visão Geral sobre o Desenvolvimento da Prática no Brasil

A extensão rural é um serviço prestado ao agricultor para melhorar a produtividade, a renda e a qualidade de vida no campo. A história da extensão rural no Brasil começou em 1948 com a fundação da Associação de Crédito e Assistência Rural (ACAR) em Minas Gerais. A ACAR foi criada com o objetivo de fornecer crédito e assistência técnica aos agricultores para superar o atraso da agricultura tradicional.

Desde então, a extensão rural passou por várias etapas de desenvolvimento, mudando suas prioridades a cada fase pela qual passou. A primeira fase foi chamada de “humanismo existencialista”, que se concentrou em aumentar a produtividade, a renda e a qualidade de vida dos agricultores. Em seguida, veio a fase do “desenvolvimento rural integrado”, que incluiu a promoção de atividades não agrícolas e a organização das comunidades rurais.

Nos últimos anos, a extensão rural tem se concentrado em temas como a agricultura sustentável, a conservação do meio ambiente, a diversificação de culturas e a melhoria da qualidade dos produtos. A extensão rural continua sendo uma ferramenta importante para o desenvolvimento do setor agrícola no Brasil e para a melhoria da qualidade de vida no campo.

Origens da Extensão Rural

Contexto Histórico

A Extensão Rural teve suas origens no final do século XIX, com a atuação de Seaman Knapp, considerado o pai da extensão rural. Knapp baseava sua ação no princípio de que o agente de extensão tinha por missão “ajudar os agricultores a ajudarem a si próprios”. Esse contexto histórico marcou o início das práticas de assistência técnica e extensão rural no campo.

Primeiras Iniciativas

As primeiras iniciativas de extensão rural foram fundamentais para o desenvolvimento da agricultura e o fortalecimento das comunidades rurais. A atuação de entidades como a ACAR (Associação de Crédito e Assistência Rural), fundada em 1948 em Minas Gerais, contribuiu significativamente para a disseminação de conhecimentos e práticas agrícolas entre os agricultores, promovendo o desenvolvimento sustentável das áreas rurais.

Desenvolvimento da Extensão Rural no Brasil

A Extensão Rural no Brasil começou a ser estruturada no final dos anos 1940, com a criação da ACAR – Associação de Crédito e Assistência Rural, em Minas Gerais. Desde então, a Extensão Rural tem sido um importante instrumento de desenvolvimento rural e de promoção da agricultura familiar no país.

Marco Legal e Políticas Públicas

O marco legal da Extensão Rural no Brasil é a Lei nº 12.188, de 11 de janeiro de 2010, que institui a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER). A PNATER tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável e a inclusão social no meio rural, por meio da oferta de serviços de assistência técnica e extensão rural.

Além da PNATER, outras políticas públicas têm sido implementadas para fortalecer a Extensão Rural no país, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária (PRONATER).

Expansão e Consolidação

A partir da década de 1960, a Extensão Rural no Brasil passou por um processo de expansão e consolidação, com a criação de novos órgãos e programas de assistência técnica e extensão rural em todo o país.

Um dos principais órgãos responsáveis pela Extensão Rural no Brasil é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que realiza pesquisas e desenvolve tecnologias para a agricultura familiar e para o agronegócio.

Além da EMBRAPA, outras instituições públicas e privadas têm contribuído para a expansão e consolidação da Extensão Rural no país, como as universidades, as cooperativas, as associações de produtores rurais e as empresas de consultoria agropecuária.

Modelos e Abordagens

A Extensão Rural no Brasil passou por diferentes modelos e abordagens ao longo do tempo. Duas das principais são a Difusão de Inovações e o Desenvolvimento Participativo.

Difusão de Inovações

A Difusão de Inovações foi um dos primeiros modelos de Extensão Rural no Brasil. Nesse modelo, o objetivo era transmitir conhecimentos técnicos e científicos aos produtores rurais, de forma a modernizar a agricultura e aumentar a produtividade. A ideia era que os técnicos levassem as informações até os produtores, que as aplicariam em suas propriedades. Esse modelo foi bastante criticado por ser muito vertical, ou seja, por não levar em conta as necessidades e conhecimentos dos produtores.

Desenvolvimento Participativo

O Desenvolvimento Participativo surgiu como uma crítica ao modelo de Difusão de Inovações. Nesse modelo, o objetivo é envolver os produtores rurais no processo de planejamento e execução das atividades de Extensão Rural. Os técnicos atuam como facilitadores, ajudando os produtores a identificar seus problemas e a encontrar soluções. O Desenvolvimento Participativo é baseado na ideia de que os produtores têm conhecimentos e experiências valiosas, que devem ser valorizadas e incorporadas ao processo de Extensão Rural. Esse modelo é considerado mais horizontal e democrático do que o modelo de Difusão de Inovações.

Impacto Social e Econômico

A extensão rural tem um impacto significativo na sociedade e economia brasileiras. Ela tem o potencial de melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem em áreas rurais e aumentar a produção agrícola do país. Nesta seção, discutirei dois aspectos importantes do impacto social e econômico da extensão rural: sustentabilidade agrícola e transformação comunitária.

Sustentabilidade Agrícola

A extensão rural desempenha um papel fundamental na promoção da sustentabilidade agrícola. Ela ajuda os agricultores a adotar práticas agrícolas sustentáveis, como a conservação do solo, a gestão da água e o uso de fertilizantes orgânicos. Isso ajuda a proteger o meio ambiente e a garantir que as gerações futuras tenham acesso a recursos naturais de qualidade.

Além disso, a extensão rural também ajuda os agricultores a melhorar a produtividade agrícola. Isso significa que eles podem produzir mais alimentos usando menos recursos naturais. Isso é especialmente importante em um país como o Brasil, onde a produção agrícola é uma parte importante da economia.

Transformação Comunitária

A extensão rural também desempenha um papel importante na transformação comunitária. Ela ajuda a capacitar os agricultores a tomar decisões informadas sobre suas práticas agrícolas e a se tornarem empreendedores rurais bem-sucedidos. Isso ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem em áreas rurais e a reduzir a pobreza.

Além disso, a extensão rural ajuda a promover a diversificação econômica em áreas rurais. Isso significa que as comunidades rurais podem se tornar menos dependentes da agricultura e criar novas oportunidades de emprego em setores como turismo, artesanato e serviços.

Em resumo, a extensão rural tem um impacto significativo na sociedade e economia brasileiras. Ela ajuda a promover a sustentabilidade agrícola e a transformação comunitária, o que é fundamental para garantir um futuro próspero para as comunidades rurais do país.

 

Desafios e Perspectivas Futuras

A Extensão Rural no Brasil tem desafios e perspectivas futuras importantes. Entre os principais desafios, podemos destacar a necessidade de atualização constante dos conhecimentos técnicos e científicos, para que os extensionistas possam oferecer um serviço de qualidade aos agricultores familiares. Além disso, é preciso garantir o acesso dos agricultores familiares aos mercados, de forma a aumentar sua renda e melhorar sua qualidade de vida.

Outro desafio importante é a necessidade de fortalecer a agricultura familiar, por meio de políticas públicas que incentivem a produção de alimentos saudáveis e sustentáveis. Para isso, é preciso investir em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias apropriadas, que sejam adaptadas às condições locais e que respeitem o meio ambiente.

Para enfrentar esses desafios, é fundamental fortalecer a articulação entre os diferentes atores envolvidos na Extensão Rural, como universidades, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e governos. É preciso promover o diálogo entre esses atores, de forma a construir uma visão compartilhada sobre os desafios e perspectivas futuras da Extensão Rural no Brasil.

Acredito que, com a adoção de uma abordagem participativa e democrática, que valorize o conhecimento local e a diversidade cultural, poderemos construir uma Extensão Rural mais efetiva e inclusiva, capaz de contribuir para o desenvolvimento rural sustentável e para a melhoria da qualidade de vida dos agricultores familiares.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais fases da evolução da extensão rural no Brasil?

A extensão rural no Brasil passou por diversas fases de desenvolvimento. Desde sua implementação oficial em 1948, até os dias de hoje, podemos destacar algumas fases importantes, como a fase do “humanismo existencialista” na década de 1950, a fase do “tecnicismo” na década de 1960, a fase da “extensão rural participativa” na década de 1980, e a fase da “extensão rural agroecológica” nos anos 2000.

Como a política nacional de assistência técnica e extensão rural (PNATER) influenciou o desenvolvimento da extensão rural?

A PNATER foi criada em 2003 com o objetivo de fortalecer a extensão rural no Brasil. Ela influenciou o desenvolvimento da extensão rural ao estabelecer diretrizes e estratégias para a implementação de políticas públicas para o setor. A PNATER também estabeleceu a obrigatoriedade da participação social na construção e implementação das políticas de extensão rural.

Qual foi a década de implementação da extensão rural no Brasil e quais foram os motivos?

A extensão rural chegou oficialmente ao Brasil no final dos anos 1940, estruturada como um serviço de prestação de assistência e crédito rural para “superar o atraso da agri-cultura tradicional”. A implementação da extensão rural foi motivada pela necessidade de modernizar a agricultura brasileira e aumentar a produtividade agrícola.

Quais modelos internacionais inspiraram as práticas de extensão rural no Brasil?

Diversos modelos internacionais inspiraram as práticas de extensão rural no Brasil, como o modelo norte-americano, o modelo alemão, o modelo italiano, o modelo francês e o modelo mexicano. Cada um desses modelos apresenta particularidades que influenciaram a extensão rural brasileira de diferentes formas.

Como a extensão rural começou no Distrito Federal e qual sua importância para a região?

A extensão rural no Distrito Federal começou em 1961, com a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Planalto Central (SUPLAN). A extensão rural foi importante para a região porque contribuiu para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária na região, além de ter sido responsável pela implantação de diversas tecnologias agrícolas inovadoras.

Quais são os principais marcos históricos da linha do tempo da extensão rural brasileira?

Podemos destacar alguns marcos históricos importantes na linha do tempo da extensão rural brasileira, como a criação da ACAR em 1948, a criação da EMBRATER em 1974, a criação da CONDRAF em 2003 e a criação da ANATER em 2014. Cada um desses marcos representou avanços importantes na organização e estruturação da extensão rural no Brasil.

Flávio Borghezan

Olá, sou Flávio Borghezan natural de Grão Pará - SC. Sou técnico em agropecuária, Licenciado em Ciências Agrárias, pós graduado em Extensão Rural, Educação Financeira e neurociência.Com mais de 15 anos de experiência na área de extensão rural dedicados ao desenvolvimento e aprimoramento do setor agropecuário, trazendo inovação e conhecimento para as comunidades rurais.Como editor do blog da Galeria Rural, vamos compartilhar um vasto conhecimento e perspectivas sobre questões pertinentes ao mundo agropecuário, como técnicas de plantio, cultivo, criações, meio ambiente, processamento, crédito entre outras áreas.Desde já agradeço pela sua visita e boa leitura!

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1 Comentário

  • Pauli Ramos Rolim

    Bom dia.
    Sou mais conhecido como R O L I M.
    Sou Engenheiro de Pesca da 1a turma do Brasil, pela Universudade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, em 14 de dezembro de 1974, fui professor concursado da UFRPE, mas fui chamado para trabalhar como Extensionista Rural, com ênfase ao setor pesqueiro, cujo contrato assinei em 2 de junho de 1975, com a então, ACAR-AM, depois, Emater e hoje Idam, é me aposentei depois de 48 anos e meio no mesmo serviço, EXTENSAO RURAL.

  • Kleber Alessandro Borotto

    Informação está errada a Extensão Rural começou em Santa Rita do Passa Quatro , com a AIA Fundação de Nelson Rockefeller em 1947 , depois de muitas experiências como , Silos , Plantas , inseminação , tipos de grama , nas Fazenda e Sítios atendimentos dentários e Médicos . Tenho toda a História . Depois com a Experiência bem sucedida , foi para Minas Gerais . A Extensão Rural ficou aqui na minha cidade até 1952

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